Incêndio de Verão de 2003 (Nisa / Mação e Chamusca) (2003)

O incêndio de Verão de 2003 (Nisa / Mação e Chamusca) começou a 30 de julho de 2003 em Santarém / Portalegre / Castelo Branco (Portugal) e queimou 41 000 hectares, cerca de 4,1 vezes a área do concelho de Lisboa. É o número 8 dos 54 grandes incêndios deste arquivo e causou 21 mortes.

41 000
hectares ardidos
21
mortos
7
dias até à extinção
#8
no arquivo de 54

Antes e depois, visto do espaço

Imagem de satélite da zona do incêndio de verão de 2003 (nisa / mação e chamusca) antes e depois do fogoAntes · 22 de julho de 2003Depois · 18 de agosto de 2003
Imagens: NASA GIBS. Antes: MODIS Terra (250 m), 22 de julho de 2003. Depois: MODIS Terra (250 m), 18 de agosto de 2003. As zonas castanho-escuras ou acinzentadas são a área ardida. Arraste o controlo para comparar.

O que aconteceu

O verão de 2003, marcado por uma onda de calor extrema em toda a Europa, foi o pior de que havia registo em Portugal em área ardida, com 425.839 hectares consumidos segundo o ICNF e 21 mortos.

O incêndio que começou em Nisa a 30 de julho de 2003 alastrou a Gavião, Mação, Vila Velha de Ródão e Proença-a-Nova e queimou mais de 41 mil hectares, o maior fogo do ano; o ICNF atribuiu-o a incendiarismo.

Na Chamusca, no distrito de Santarém, outro incêndio no início de agosto destruiu cerca de 22 mil hectares, perto de 30% do concelho, e obrigou à evacuação de aldeias como Ulme.

Outros grandes fogos de 2003 atingiram 36 mil hectares entre Castelo Branco, Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova e mais de 50 mil hectares na serra de Monchique e no Barlavento algarvio.

Quinze dos 18 distritos foram afetados e o Governo declarou calamidade pública; a crise esteve na origem do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios e de uma reforma do sistema de combate.

Mação, Proença-a-Nova e outros concelhos do Pinhal Interior voltariam a arder em grande escala em 2005, 2017 e 2019.

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Como avançou o fogo, dia a dia

Os satélites MODIS (Terra e Aqua) da NASA registaram 562 focos de calor associados a este incêndio entre 30 de julho e 6 de agosto de 2003, ao longo de 8 dias. O dia de maior atividade foi 3 de agosto, com 217 deteções (39% do total): é aí que o fogo fez a maior parte do seu percurso.

A carregar a progressão…

Cada ponto é uma deteção de calor do satélite (MODIS (1 km)), colorida segundo o dia em que foi vista. Não é o perímetro oficial: as nuvens e o fumo denso podem esconder parte da frente.

Que tempo fazia

Nos dias do incêndio a temperatura máxima chegou a 43 °C, a humidade relativa desceu até 10% e houve rajadas de vento de 50 km/h. Nos 90 dias anteriores tinham caído 14 mm de chuva e houve 10 dias acima de 35 °C. Uma humidade abaixo de 20% deixa a vegetação morta pronta a arder quase instantaneamente.

29 de julho38 °C
HR 15%
rajada 32 km/h NE
30 de julho40 °C
HR 12%
rajada 33 km/h NE
31 de julho41 °C
HR 13%
rajada 26 km/h N
1 de agosto43 °C
HR 10%
rajada 29 km/h NE
2 de agosto43 °C
HR 10%
rajada 50 km/h E
3 de agosto39 °C
HR 21%
rajada 46 km/h S
4 de agosto39 °C
HR 20%
rajada 35 km/h SO
5 de agosto39 °C
HR 20%
rajada 24 km/h NO

Reanálise ERA5 (Copernicus/ECMWF) via open-meteo, para o ponto central do incêndio. Temperatura e humidade a 2 m, rajada máxima a 10 m.

Ficha técnica

Datas30 de julho de 2003 → 5 de agosto de 2003 (data de fim aproximada; os grandes fogos de início de agosto de 2003 foram dominados nos primeiros dias do mês)
LocalizaçãoSantarém / Portalegre / Castelo Branco, Centro (Portugal)
Municípios afetadosNisa, Gavião, Mação, Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova, Chamusca
Área ardida41 000 ha. ICNF (incêndio iniciado em Nisa, citado pela Lusa); total nacional de 2003: 425.839 ha (ICNF, Relatório Anual de Áreas Ardidas 2012)
CausaIncendiarismo no fogo de Nisa, segundo o ICNF, em contexto de onda de calor extrema e seca
Vítimas21 mortos
Deteção por satélite562 focos · NASA FIRMS MODIS (1 km)
Ver a zona no mapa em tempo real

Fontes

As cifras de área ardida variam entre fontes (perímetro vs. superfície realmente queimada, área florestal vs. total, estimativas iniciais vs. finais). Indicamos sempre a fonte usada. Encontrou um erro? Escreva para hola@fuegoalerta.com.

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