Incêndio de Pedrógão Grande (2017)

O incêndio de Pedrógão Grande começou a 17 de junho de 2017 em Leiria (Portugal) e queimou 44 969 hectares, cerca de 4,5 vezes a área do concelho de Lisboa. É o número 7 dos 54 grandes incêndios deste arquivo e causou 66 mortes.

44 969
hectares ardidos
66
mortos
8
dias até à extinção
#7
no arquivo de 54

Antes e depois, visto do espaço

Imagem de satélite da zona do incêndio de pedrógão grande antes e depois do fogoAntes · 15 de junho de 2017Depois · 1 de julho de 2017
Imagens: NASA GIBS. Antes: Landsat 8/9 (HLS, 30 m), 15 de junho de 2017. Depois: Landsat 8/9 (HLS, 30 m), 1 de julho de 2017. As zonas castanho-escuras ou acinzentadas são a área ardida. Arraste o controlo para comparar.

O que aconteceu

O incêndio deflagrou pouco depois das 14h00 de 17 de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande, durante uma trovoada seca, e fundiu-se dias depois com outro fogo iniciado quase ao mesmo tempo em Góis.

Morreram 66 pessoas, 47 delas na Estrada Nacional 236-1, entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, apanhadas pelas chamas quando tentavam fugir de carro ou a pé.

Foi o incêndio mais mortífero da história de Portugal; houve 253 feridos e cerca de 500 casas e 50 empresas foram atingidas.

O complexo de Pedrógão Grande e Góis queimou cerca de 45 mil hectares, segundo o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, e só foi dado como extinto a 24 de junho.

A Comissão Técnica Independente concluiu que o fogo libertou energia a um ritmo sem precedentes em Portugal, com um máximo de 4.459 hectares ardidos numa só hora e fenómenos extremos de vorticidade e projeção de material incandescente.

Em setembro de 2022 o Tribunal de Leiria absolveu os 11 arguidos, entre eles o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, antigos autarcas e funcionários da EDP Distribuição e da Ascendi; a Relação de Coimbra confirmou a decisão.

A tragédia levou à reforma do sistema de prevenção e combate, com a criação da AGIF e do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais e de programas como Aldeia Segura e Pessoas Seguras.

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Como avançou o fogo, dia a dia

Os satélites VIIRS da NASA registaram 1973 focos de calor associados a este incêndio entre 17 de junho e 23 de junho de 2017, ao longo de 7 dias. O dia de maior atividade foi 18 de junho, com 908 deteções (46% do total): é aí que o fogo fez a maior parte do seu percurso.

A carregar a progressão…

Cada ponto é uma deteção de calor do satélite (VIIRS (375 m)), colorida segundo o dia em que foi vista. Não é o perímetro oficial: as nuvens e o fumo denso podem esconder parte da frente.

Que tempo fazia

Nos dias do incêndio a temperatura máxima chegou a 36 °C, a humidade relativa desceu até 23% e houve rajadas de vento de 41 km/h. Nos 90 dias anteriores tinham caído 219 mm de chuva.

16 de junho34 °C
HR 34%
rajada 29 km/h NE
17 de junho36 °C
HR 23%
rajada 30 km/h N
18 de junho35 °C
HR 25%
rajada 30 km/h N
19 de junho34 °C
HR 29%
rajada 30 km/h E
20 de junho34 °C
HR 28%
rajada 30 km/h E
21 de junho30 °C
HR 41%
rajada 41 km/h O
22 de junho25 °C
HR 50%
rajada 35 km/h NO
23 de junho26 °C
HR 41%
rajada 39 km/h N
24 de junho25 °C
HR 41%
rajada 39 km/h N

Reanálise ERA5 (Copernicus/ECMWF) via open-meteo, para o ponto central do incêndio. Temperatura e humidade a 2 m, rajada máxima a 10 m.

Ficha técnica

Datas17 de junho de 2017 → 24 de junho de 2017 (extinto a 24 de junho)
LocalizaçãoLeiria, Centro (Portugal)
Municípios afetadosPedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Sertã, Alvaiázere
Área ardida44 969 ha. EFFIS/JRC (complexo Pedrógão Grande 29.693 ha + Góis 15.276 ha); balanço ICNF de outubro de 2017: mais de 27.000 ha só para o incêndio de Pedrógão Grande
CausaDescarga elétrica de trovoada seca, segundo a Polícia Judiciária; hipótese contestada por alguns, com linhas elétricas também investigadas
Vítimas66 mortos, 253 feridos
Deteção por satélite1973 focos · NASA FIRMS VIIRS (375 m)
Ver a zona no mapa em tempo real

Fontes

As cifras de área ardida variam entre fontes (perímetro vs. superfície realmente queimada, área florestal vs. total, estimativas iniciais vs. finais). Indicamos sempre a fonte usada. Encontrou um erro? Escreva para hola@fuegoalerta.com.

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